
Por que a postura escolar merece atenção?
A coluna da criança ainda está em desenvolvimento. Diferentemente do adulto, ossos, músculos e ligamentos encontram-se em processo de maturação. Assim, posturas inadequadas mantidas por longos períodos não costumam causar lesões imediatas, mas podem favorecer:
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dores cervicais e lombares
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fadiga muscular precoce
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desequilíbrios posturais funcionais
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piora de desvios já existentes, como a escoliose
É importante esclarecer: má postura não causa deformidades estruturais sozinha, mas pode agravar quadros predisponentes.
A carteira escolar influencia a coluna?
Sim. O mobiliário escolar nem sempre acompanha o crescimento da criança. Quando a carteira é inadequada, surgem compensações posturais involuntárias.
Sinais comuns incluem:
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pés que não alcançam o chão
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tronco excessivamente inclinado para frente
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ombros elevados ou assimétricos
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apoio inadequado das costas
Essas adaptações, quando repetidas diariamente, aumentam a sobrecarga muscular.
Postura ao escrever e usar telas
Além da sala de aula, a postura em casa também influencia a saúde da coluna. Atualmente, tarefas escolares frequentemente envolvem tablets, celulares e notebooks.
Os erros mais observados são:
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flexão excessiva do pescoço (“olhar sempre para baixo”)
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apoio do corpo apenas em um lado
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uso de dispositivos sobre a cama ou sofá
Esse padrão favorece desconforto cervical e dorsal, mesmo em crianças sem alterações ortopédicas prévias.
O que os pais podem observar no dia a dia?
Alguns sinais merecem atenção ao longo do período escolar:
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queixas frequentes de dor nas costas ou no pescoço
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dificuldade em permanecer sentado por muito tempo
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inclinação constante do tronco para o mesmo lado
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assimetria dos ombros percebida ao vestir a criança
Na presença desses sinais persistentes, a avaliação ortopédica é indicada.
Orientações simples de prevenção
Pequenas medidas no cotidiano fazem diferença:
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incentivar pausas regulares para movimento
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ajustar altura da cadeira e da mesa sempre que possível
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orientar a criança a apoiar bem os pés no chão
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alternar atividades sentadas com brincadeiras ativas
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evitar uso prolongado de telas sem supervisão postural
O objetivo não é rigidez postural, mas variação de posições e movimento frequente.
Quando procurar um ortopedista?
A consulta é recomendada quando:
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a dor é recorrente ou progressiva
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há suspeita de desvio postural
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a criança apresenta limitação funcional
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existem antecedentes familiares de problemas na coluna
A avaliação precoce permite orientação adequada e evita intervenções desnecessárias.
Na volta às aulas, a postura escolar deve ser observada como parte do cuidado integral com a saúde infantil. Atenção, orientação e prevenção são suficientes na maioria dos casos. O acompanhamento profissional torna-se necessário apenas quando surgem sinais persistentes ou alterações evidentes.
Nessas situações, a avaliação ortopédica permite identificar precocemente desequilíbrios musculoesqueléticos, orientar ajustes na rotina escolar e familiar e acompanhar o crescimento da criança de forma segura. Quando necessário, o especialista também define se há indicação de exames ou apenas acompanhamento clínico.
Caso haja dúvidas ou sinais de alerta, é possível agendar uma consulta para avaliação individualizada, garantindo um retorno às aulas com mais conforto e segurança para a criança.





