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Alzheimer e dor: como perceber quando a pessoa não consegue explicar o que sente?

Dor nem sempre aparece acompanhada de um pedido de ajuda. Em pessoas com Alzheimer, principalmente nas fases mais avançadas, as alterações na comunicação podem dificultar a descrição do que está incomodando.

Isso não significa que a pessoa deixou de sentir dor. Pelo contrário: ela pode expressar o desconforto por meio do comportamento, das expressões faciais e dos movimentos. A Alzheimer’s Society destaca que pessoas com demência continuam sentindo dor mesmo quando já não conseguem explicar claramente o que acontece.

No Dia Mundial e Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer, celebrado em 21 de setembro, compreender esses sinais também ajuda familiares e cuidadores a oferecer um cuidado mais atento.

Alzheimer

Por que pode ser difícil identificar a dor?

O Alzheimer afeta progressivamente a memória, a linguagem e outras funções cognitivas. Com a evolução da doença, a pessoa pode ter dificuldade para encontrar palavras, organizar frases ou indicar exatamente onde sente desconforto.

Por isso, perguntas como “onde está doendo?” nem sempre recebem uma resposta clara. Em alguns casos, a pessoa pode apenas demonstrar que algo mudou.

Nesse momento, observar o comportamento ganha ainda mais importância.

Quais sinais podem indicar dor?

Cada pessoa manifesta o desconforto de maneira diferente. No entanto, alguns comportamentos podem chamar a atenção, principalmente quando surgem de repente ou fogem do padrão habitual.

Entre eles estão:

  • caretas ou expressão de sofrimento;
  • gemidos, gritos ou vocalizações diferentes;
  • irritabilidade ou agitação;
  • dificuldade para dormir;
  • corpo mais tenso ou punhos cerrados;
  • proteção de alguma parte do corpo;
  • resistência ao toque ou aos movimentos;
  • recusa em caminhar ou realizar determinadas atividades.

Familiares e profissionais podem observar essas mudanças no comportamento, na expressão facial, na postura e nos sons emitidos quando a pessoa tem dificuldade para comunicar a dor.

Por exemplo, alguém que passa a evitar apoiar uma perna, resiste na hora de se levantar ou demonstra incômodo ao movimentar um braço pode estar tentando comunicar um desconforto.

Mudança de comportamento nem sempre é “do Alzheimer”

Agitação, irritabilidade ou resistência aos cuidados podem ser interpretadas como parte da demência. No entanto, uma mudança de comportamento também pode indicar dor ou outro problema de saúde.

Entre as possíveis causas de desconforto estão infecções, constipação e condições como artrite. Além disso, uma alteração súbita no comportamento ou no nível de confusão pode estar relacionada a um quadro de delirium e exige avaliação médica.

Nesse contexto, é importante observar quando a mudança começou e em quais situações ela aparece. A pessoa demonstra desconforto ao caminhar? Sente incômodo ao se vestir, mudar de posição ou movimentar alguma articulação?

Essas informações ajudam os profissionais de saúde a investigar a causa.

Como familiares e cuidadores podem ajudar?

Quem convive diariamente com a pessoa costuma conhecer melhor seus hábitos e comportamentos. Dessa forma, pode perceber alterações sutis antes de outras pessoas.

Além de observar as mudanças, é importante comunicar quando o desconforto aparece, quais movimentos parecem piorá-lo e se houve quedas ou outros acontecimentos recentes.

Quando a comunicação verbal está comprometida, profissionais de saúde também podem utilizar instrumentos específicos de avaliação da dor baseados em comportamentos e expressões.

Assim, mesmo quando a pessoa não consegue dizer “estou com dor”, ainda existem maneiras de investigar o que ela está sentindo.

Dor também pode comprometer o movimento

Dores musculares e articulares podem dificultar atividades como levantar da cadeira, caminhar, mudar de posição ou realizar cuidados pessoais.

Por isso, mudanças na mobilidade merecem atenção. Uma recusa repentina em caminhar, por exemplo, não deve ser interpretada automaticamente como falta de vontade.

A dor pode estar por trás dessa mudança. Nesse sentido, a avaliação ajuda a identificar problemas musculoesqueléticos e a definir estratégias para controlar o desconforto e preservar a funcionalidade.

Na CORTS, profissionais de ortopedia e reabilitação avaliam dores, limitações de movimento e outras alterações que podem comprometer a rotina e a autonomia. Se você percebeu mudanças na mobilidade ou sinais de dor em um familiar com Alzheimer, agende uma avaliação conosco.

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Nota ao leitor: As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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