A doença de Alzheimer é, em geral, associada à perda de memória. Entretanto, evidências clínicas mostram que alterações corporais e motoras podem surgir de forma precoce. Nesse contexto, a mobilidade passa a ser um indicador relevante, uma vez que reflete a integração entre cérebro, sistema nervoso e movimento.
Por esse motivo, observar mudanças no corpo pode contribuir para uma avaliação mais antecipada, mesmo antes de déficits cognitivos claramente estabelecidos.

A relação entre Alzheimer e movimento
O Alzheimer afeta regiões cerebrais envolvidas não apenas na memória, mas também no planejamento motor, na orientação espacial e no controle postural. À medida que essas áreas são comprometidas, o corpo passa a responder de forma menos eficiente aos estímulos do ambiente.
Consequentemente, surgem alterações que, muitas vezes, são interpretadas apenas como sinais naturais do envelhecimento, o que pode atrasar a investigação clínica.
Alterações na marcha: um sinal inicial frequente
Entre os primeiros sinais motores, destacam-se mudanças discretas na marcha. Inicialmente, observa-se a redução do comprimento dos passos e a lentificação do ritmo. Além disso, pode haver maior dificuldade para iniciar, interromper ou adaptar a caminhada.
Com o tempo, a instabilidade ao mudar de direção ou caminhar em ambientes desconhecidos tende a se intensificar. Dessa forma, o risco de quedas aumenta, mesmo em pessoas previamente independentes.
Equilíbrio e postura ao longo do tempo
O comprometimento do equilíbrio pode surgir de forma gradual. Por vezes, pequenos desequilíbrios ao levantar-se ou sentar-se passam despercebidos. No entanto, quando se tornam frequentes, merecem atenção.
Paralelamente, alterações posturais progressivas, como inclinação do tronco ou rigidez corporal, podem indicar dificuldade nos ajustes posturais automáticos, fundamentais para a estabilidade corporal.
Coordenação motora e movimentos finos
Além das mudanças globais, surgem dificuldades em tarefas que exigem coordenação motora fina. Nesse sentido, atividades simples, como abotoar roupas ou manusear utensílios, passam a demandar mais tempo e esforço.
Inicialmente, essas dificuldades tendem a ser intermitentes. Contudo, com a progressão do quadro, tornam-se mais frequentes e evidentes no cotidiano.
Lentidão dos movimentos
Outro sinal relevante é a lentidão global do movimento. Assim, ações como levantar-se da cadeira, virar-se na cama ou reagir a estímulos externos passam a ocorrer de forma mais lenta.
Embora nem sempre associada à queixa cognitiva direta, essa lentificação pode indicar comprometimento do processamento motor central.
Quando investigar essas alterações?
A investigação torna-se indicada quando:
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As alterações de mobilidade são progressivas
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Surgem episódios de desorientação
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Ocorrem quedas sem causa mecânica evidente
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Mudanças no padrão corporal habitual
Em conjunto, esses sinais reforçam a necessidade de avaliação especializada
Avaliação interdisciplinar e acompanhamento
Diante desses achados, a avaliação deve ser ampla e individualizada. Portanto, a abordagem interdisciplinar permite não apenas identificar a origem das alterações, mas também orientar estratégias voltadas à preservação da autonomia, da funcionalidade e da segurança ao longo do envelhecimento.
Além disso, o acompanhamento adequado possibilita diferenciar alterações esperadas da idade de sinais que merecem investigação específica, favorecendo decisões clínicas mais precisas.
Quando surgem dúvidas ou alterações persistentes, agende uma consulta conosco, pois a avaliação profissional pode auxiliar na compreensão do quadro e no direcionamento do cuidado, respeitando a individualidade e a trajetória de cada pessoa.





