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Fadiga na esclerose múltipla: por que o cansaço vai além da falta de disposição?

Sentir cansaço depois de um dia intenso é comum. No entanto, para quem vive com esclerose múltipla (EM), a fadiga pode aparecer de forma mais intensa e interferir até mesmo em atividades simples do cotidiano. A fadiga está entre os principais sintomas da esclerose múltipla, ao lado de alterações de força, sensibilidade, equilíbrio e coordenação. Por isso, ela não deve ser confundida com preguiça ou falta de disposição.

Por que a fadiga da esclerose múltipla é diferente?

Na esclerose múltipla, a fadiga pode ser muito mais intensa do que o esforço realizado justificaria. Assim, atividades aparentemente simples podem exigir mais energia do que o esperado e gerar uma sensação intensa de esgotamento.

Isso acontece porque a EM afeta o sistema nervoso central. A doença envolve processos inflamatórios, desmielinizantes e neurodegenerativos, que podem comprometer a transmissão dos impulsos nervosos. Além da fadiga, podem surgir alterações motoras, sensitivas, de equilíbrio, coordenação e cognição.

Por isso, descansar nem sempre faz o sintoma desaparecer completamente. Além disso, a intensidade pode variar ao longo do dia e de uma pessoa para outra.

O cansaço nem sempre tem uma única causa

Embora a própria esclerose múltipla possa provocar fadiga, outros fatores também podem intensificá-la como problemas no sono, alterações de humor, dor, infecções e alguns medicamentos podem contribuir para o quadro. Outras condições de saúde também precisam ser consideradas durante a investigação.

Por esse motivo, uma piora do cansaço deve ser discutida durante o acompanhamento. Segundo o Projeto Diretrizes (AMB/CFM) a fadiga deve ser avaliada de forma individualizada, considerando a realidade e o estado clínico de cada paciente, a complexidade do sintoma e a possível necessidade de uma abordagem multidisciplinar.

Quem tem fadiga deve evitar exercícios?

Nem sempre. Durante muito tempo, havia receio de que a prática de exercícios pudesse aumentar a fadiga nas pessoas com esclerose múltipla. Atualmente, porém, os profissionais podem incluir a atividade física na reabilitação e adaptar os exercícios à capacidade e aos sintomas de cada paciente.

Um ensaio clínico randomizado com 208 adultos com esclerose múltipla e fadiga moderada a grave  encontrou redução do impacto da fadiga em uma intervenção que combinou estratégias de autogerenciamento e promoção da atividade física. Portanto, o objetivo não é simplesmente “fazer mais exercício”. É encontrar uma quantidade de atividade compatível com a condição de cada pessoa.

Qual é o papel da reabilitação?

Como a esclerose múltipla pode comprometer diferentes funções, a equipe de reabilitação precisa adaptar o cuidado às necessidades de cada paciente. Por isso, conforme os sintomas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e outros profissionais podem atuar de forma integrada.

Na fisioterapia, por exemplo, o profissional trabalha força, mobilidade, equilíbrio e condicionamento de acordo com a capacidade funcional do paciente. Ao mesmo tempo, ele planeja as atividades para reduzir a sobrecarga e evitar períodos excessivos de inatividade.

Além disso, a equipe pode orientar estratégias de conservação de energia para distribuir melhor as tarefas ao longo do dia. Dessa forma, o paciente consegue priorizar atividades importantes, organizar períodos de recuperação e manter uma rotina mais ativa.

Nesse sentido, a CORTS considera as limitações, a mobilidade e os objetivos de cada paciente ao definir o plano de reabilitação. Por isso, se a fadiga, a fraqueza ou as dificuldades de movimento estão interferindo na rotina, agende uma avaliação conosco para conhecer as possibilidades de acompanhamento.

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Nota ao leitor: As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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