A criança brinca normalmente durante o dia, mas, à noite, começa a reclamar de dor nas pernas. Para muitas famílias, essa situação desperta uma dúvida: será que é a chamada dor do crescimento?
No mês das crianças, vale aproveitar o tema para lembrar que dores recorrentes também merecem atenção na infância. Embora a chamada “dor do crescimento” seja geralmente benigna, alguns sinais podem indicar a necessidade de investigação.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), esse tipo de dor costuma aparecer em crianças entre 3 e 12 anos, principalmente no final do dia ou durante a noite. Apesar do nome popular, não existe comprovação de que o crescimento dos ossos provoque a dor. Por isso, especialistas também utilizam o termo “dor recorrente em membros”.
Como costuma ser a chamada dor do crescimento?
Algumas características ajudam a reconhecer o padrão mais comum.
A dor geralmente aparece nas coxas, panturrilhas ou canelas e costuma atingir as duas pernas ou alternar entre elas. Além disso, pode surgir após um dia de muitas brincadeiras ou atividade física.
Outro detalhe importante é o horário. O desconforto tende a surgir no final da tarde, à noite ou até durante o sono. Porém, pela manhã, a criança normalmente acorda sem dor e segue suas atividades normalmente. Nesse quadro, também não costumam aparecer inchaço, vermelhidão ou dificuldade para caminhar. O exame físico, em geral, não apresenta alterações.
Por outro lado, brincar, correr e praticar esportes também podem provocar dores musculares por sobrecarga. Nesse caso, o contexto ajuda a diferenciar um desconforto passageiro de um problema que merece avaliação.
Quando a dor nas pernas precisa de atenção?
Nem toda dor noturna nas pernas deve receber automaticamente o rótulo de “dor do crescimento”.
Alguns sinais fogem do padrão habitual. É importante procurar avaliação quando a dor:
- aparece sempre em apenas uma perna;
- provoca dificuldade para caminhar ou faz a criança mancar;
- persiste pela manhã;
- ocorre diretamente em uma articulação;
- vem acompanhada de inchaço ou vermelhidão;
- interfere nas brincadeiras e nas atividades diárias;
- aparece junto com febre, perda de peso ou cansaço incomum.
Esses sinais podem estar relacionados a outras condições e precisam de investigação.
Além disso, uma dor que aumenta progressivamente ou surge depois de uma queda ou trauma também merece atenção.
O que fazer quando a criança sente dor à noite?
Nos quadros típicos de dor recorrente em membros, massagem suave e calor local podem ajudar a aliviar o desconforto. A SBP também orienta que, quando necessário, medicamentos para dor devem seguir a recomendação do profissional que acompanha a criança.
Além disso, os responsáveis podem observar quando os episódios aparecem, quanto tempo duram e quais regiões doem. Essas informações ajudam bastante durante uma avaliação.
Por outro lado, se a criança apresenta sinais diferentes do padrão habitual, o ideal é não tentar resolver apenas com repouso ou medicamentos por conta própria.
Dor na infância também merece ser investigada
Na maioria das vezes, a chamada dor do crescimento apresenta evolução benigna. No entanto, não é preciso considerar toda dor nas pernas como uma consequência normal da infância.
Neste mês das crianças, cuidar também significa prestar atenção ao que elas sentem. Se a dor nas pernas está se repetindo, alterando a forma de caminhar ou interferindo nas atividades, agende uma avaliação na CORTS para investigar a origem do desconforto.





